Depois de muitos anos passados em fanfarras da região (Costa do Valado, Ílhavo e São Jacinto), José Manuel e António Tavares decidiram criar uma fanfarra de raiz. Um sonho arrojado e que arrancou a muito custo, depois de muitas horas passadas a fazer contas e a reunir com os elementos dos órgãos directivos.
Foi em Taboeira que esta dupla encontrou o grande apoio para concretizar o projecto. “Ainda tentámos criar a fanfarra em Eixo, a nossa terra, mas as portas não se abriram da forma que estávamos à espera e desistimos. Em contrapartida, quando apresentámos a ideia ao responsável do Centro Social de Taboeira, não podíamos ser mais encorajados e apoiados”, explicou José Manuel Santos, o director e ensaiador da fanfarra, presidida por Jorge Carvalhal.
“Começámos do zero”
A Fanfarra Centro Social de Taboeira foi formalmente apresentada à comunidade a 24 de Maio deste ano e oficialmente criada no passado dia 7. Actualmente com 30 elementos, com idades a oscilar entre os seis e os 53 anos, o processo de criação e formação desta estrutura aconteceu ao longo de um ano. “Começámos do zero. O Centro Social cedeu-nos o espaço necessário para nos sediarmos e demos então início à angariação de elementos e de fundos, uma vez que não contámos com nenhum tipo de apoio financeiro para o arranque”, afirmou este responsável, realçando que “foi a população que nos apoiou financeiramente e nos permitiu adquirir instrumentos e fardamento”.
À procura de financiamento
Apesar de recente, a Fanfarra de Taboeira já conta com um “espólio” instrumental de quatro bombos, 12 caixas, 10 clarins, um par de pratos, dois baixos e um total de 13 saídas pela região contabilizadas desde Maio. Ao todo foram necessários cerca de 14 mil, suportados pela comunidade local e por alguns elementos da fanfarra que adiantaram a verba necessária para a compra de instrumentos, “mas já está tudo pago”, destaca o director, acreditando que melhores dias virão.
Uma vez legalizados, abrem-se agora novas portas de financiamento, concretamente junto da Junta de Freguesia de Esgueira, Câmara Municipal de Aveiro e INATEL, que todos os anos destina uma fatia do seu orçamento para projectos musicais.
“Acredito que, apesar das dificuldades financeiras que tanto se fala, a cultura há-de ter sempre um espaço especial para os políticos e entidades oficiais”, defendeu esperançoso.
Crescer para 50 executantes
Relativamente às necessidades mais prementes, José Manuel refere-se, em primeiro lugar, a mais executantes, “o nosso sonho é reunir 50 executantes na fanfarra”, lembrando que não têm que ser qualificados. “Desde que tenham gosto por isto e pela música, não deixem de vir. Cá lhes damos formação”, como está a acontecer com a esmagadora maioria da actual formação”, garantiu.
A segunda maior necessidade manifestada por este responsável dirige-se ao número de instrumentos: “à medida que o grupo vai crescendo, os instrumentos têm que acompanhar e não é fácil, porque são muito caros”, disse, apontando para o bombo maior que custou 590 euros. Cada caixa custou 60 euros, os restantes bombos (de menores dimensões) custaram 120 euros cada, seguindo-se os clarins a 100, os baixos a 195 e um par de pratos recentemente adquirido que levou do parco cofre da fanfarra 115 euros. E a propósito comentou: “ quando o povo assiste à actuação de uma fanfarra está longe de imaginar o trabalho que dá organizá-la, mantê-la activa e garantir os instrumentos. São milhares de euros envolvidos, muito espírito de sacrifício, muito voluntariado e, acima de tudo, muito amor à música!”