O fado está-lhe no sangue. Sobrinho de Maria Teresa de Noronha, primo de Vicente da Câmara, Frei Hermano da Câmara e Teresa Tarouca, o fadista Nuno da Câmara Pereira nasceu em Lisboa no dia 19 de Junho de 1951.
Foi com a sua mãe que aprendeu a gostar de fado desde muito novo, no entanto durante bastante tempo conciliou a sua carreira artística com a sua profissão de agricultor.
Nuno da Câmara Pereia estudou em Évora, onde tirou o curso de engenheiro técnico agrário, especializando-se em horticultura na Holanda. A sua estreia artística aconteceu em 1977, num espectáculo de variedades realizado no Coliseu dos Recreios.
O álbum de estreia, "Fado!", chegou às lojas em 1982, e foi composto maioritariamente por novas gravações de clássicos do fado, e também por dois dos temas mais marcantes da sua carreira, "Cavalo Ruço" e "Acabou o Arraial", este último um inédito de João Ferreira-Rosa.
No ano seguinte, foi a vez de "Sonho Menino", um disco composto por originais e versões, que valeu a Nuno da Câmara Pereira o aplauso e atenção da crítica. Seguiu-se o álbum homónimo em 1985, ano também marcado pela realização do primeiro grande concerto que deu em nome próprio, na Aula Magna, em Lisboa, com lotação esgotada.
O quarto álbum da carreira do fadista viu a luz do dia em 1986. Intitulado "Mar Português", conheceu rapidamente um grande êxito comercial graças aos temas "Estou Velho", um inédito de Carlos Paião, e "Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo", um original de Roberto Carlos.
Após uma mão cheia de concertos realizados em palcos nacionais e internacionais, Nuno da Câmara Pereira editou no final de 1987 o álbum "A Terra, o Mar e o Céu", ao qual sucedeu, dois anos depois, "Guitarra", um disco que marcou a celebração do décimo aniversário da profissionalização como fadista de Nuno da Câmara Pereira.
Os dez anos de carreira do fadista foram comemorados com a edição do álbum "Colectânea", no qual foram recuperados êxitos como "Embuçado" e "Malmequer Pequenino", e recriados outros como "Lua Minha Testemunha" e "Cantigas da Minha Rua", de Dany Silva. No final do ano, editou em conjunto com os seus primos José e Vicente da Câmara, o álbum "Tradição", onde cada um interpeta quatro fados popularizados pela sua tia, Teresa de Noronha.
"Só À Noitinha" chegou às lojas em 1995, e reuniu treze fados de Frederico Valério gravados com a Orquestra Sinfónica da Lituânia. Um fracasso tanto a nível de críticas como de vendas, ao qual sucedeu a compilação de êxitos "Tudo do Melhor", que juntou vinte grandes temas da carreira de Nuno da Câmara Pereira e que marcou o fim do seu contrato com a EMI-VC. Maria João Serra